Iara, a sereia do Amazonas

Era uma vez uma princesa índia. Ela pertencia a uma tribo nómada do povo tupi e crescia feliz e livre nas margens do rio Amazonas.

Era querida pelos outros índios, pelas árvores e até pelo sol. Mas os seus grandes amigos eram os animais do rio: ela contava-lhes histórias e eles brincavam com ela; ela cantava-lhes canções de embalar e eles contavam-lhe segredos do mundo aquático.
Era uma vez uma menina índia, livre e feliz. Essa menina tratava os animais do rio como se fossem seus irmãos, mas essa amizade saiu-lhe cara, pois desagradava a uma certa deusa. A deusa tinha muita inveja da menina de pele cor de caramelo e, um dia, vendo-a a cantar para um cardume de peixes prateados teve um ataque de fúria e transformou a pequena índia numa sereia. “Agora, vais passar a vida na água com os esses teus amigos e longe dos humanos. E quando um humano ouvir o teu canto, vai ficar enfeitiçado e acabará por morrer afogado ao teu lado. Nunca mais terás companheiros humanos!”.
Essa menina de pele cor de caramelo era eu, livre e feliz. Essa sereia amaldiçoada sou eu, condenada a viver sem companhia da sua espécie. Pretendentes não me faltam. Eles veem-me sentada numa rocha a pentear os meus belos e longos cabelos verdes. Enamoram-se da minha pele cor de caramelo, ficam encantados com a minha voz e vêm atrás de mim. Mas assim que entram na água, forma-se um violento remoinho, o seu sorriso desaparece e eles morrem afogados entre gritos e pedidos de ajuda.
Era uma vez, uma sereia amaldiçoada, de pele cor de caramelo e escamas prateadas. Uma sereia, triste e solitária, que percorre o rio na esperança de encontrar um companheiro.

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