ei, tu! sim, tu, mesquinhez. senta-te ao meu lado. estou cansada de te ver do outro lado da mesa ou num quadradinho no ecrã. se fazes questão de ocupar tanto espaço, vem ocupar o melhor lugar: aqui, à direita da Mãe.
crias muros de blocos de brincar esperando proteção. sentas-te num trono elevadíssimo mas de frágil cristal. fechas portas a sete cadeados e deitas fora as chaves com indiferença.
orgulhosamente usas palas como os burros. monocordicamente cacarejas a mesma cantilena gasta. usas palas monocórdicas, gastas o cacarejo orgulhoso. cacarejas o orgulho das palas. zurras a cantilena gasta.
apresentas-te com armadura polida e espada enferrujada. defendes uma coisa e o seu contrário, com a viseira do elmo fechada. manténs o estandarte em riste, embora já tenhas caído do teu cavalo que, por fim, recusou os maus tratos das esporas e te deixou para trás.
e nisto tudo perdeste de vista que sempre estiveste num carrossel de cores garridas, em eterno loop, ao som das músicas dos Caricas.







