365 dias dão para muita coisa…

chorar, rir. claro.
escrever coisas parvas, textos crípticos para uns e transparentes para outros.
escrever um texto que foi lido algumas centenas de vezes por um número indeterminado de pessoas, provavelmente o texto mais carregadinho de adn e debitado como um uivo à lua cheia.

inventar histórias sobre monstros reinventados. seres sanguinários e intrinsecamente humanos, lidos à lupa pela mão da inspiração com seis anos.
inventar uma história sobre aventuras de pessoas pequeninas com o dom de fazer sorrir, aquecer o coração e curar feridas que, por vezes, nem sabemos que temos.

deixar pessoas partirem. espreguiçar e esticar braços e pernas em celebração do espaço que fica vazio e disponível para braços abertos e palavras verdadeiras.
deixar pessoas chegarem, instalarem-se. pessoas que nos veem sem filtros e nos colocam em causa. pessoas que simplesmente passam a fazer parte do ecossistema, da renda de bilros.

chorar e rir intercaladamente em conversas tão próximas que beneficiam dos 300 km de espaço que permitem respirar. dar abraços tão reais e tridimensionais como se os 300 km não existissem.

dizer “preciso de ti” e ter como resposta um “estou a caminho”. ouvir um “preciso de ti” e responder com “estou a caminho”.

sentir a vida parada e os movimentos lentos no lodo. ver o nascer do sol no horizonte. sentir o potencial do horizonte.

sonhar.
querer.
dançar.
deixar ir. libertar.
dar a mão.
dar abraços.
cantar “só gosto de ti, porquê não sei, mas estou bem assim e tu também” junto aos caracóis da criatura mais fascinante do mundo.
dançar. sorrir. sonhar. abraçar.

e (mais) 365 dias dão para muita coisa.
as engrenagens vão funcionando e as coisas vão avançando. e enquanto há coisas a avançar, a alma espreguiça-se de olhos no horizonte.

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