irrita-me ter que ocupar o tempo com coisas que não têm propósito.
irrita-me.
mexe-me com os nervos.
irrita-me ainda mais ocupar o tempo com coisas com pseudo-propósito, catalogadas como “assim a dar para o incontornável”, com carimbo “tipo relevante”, publicitadas como “finalmente, aquilo por que tanto esperava mas que não tem qualquer tipo de utilidade”.
irrita-me.
mexe-me com o estômago.
e o despropósito instala-se, aconchega-se, trata de se colocar despropositada porém apropriadamente confortável.
e o despropósito instala-se, desaloja propósitos, intenções, objetivos e, claro, sonhos.
já construí castelos destinados a serem destruídos.
já investi em apelos a olhos que se recusam a ver-ver com medo de ter de ver-sentir e, consequentemente, sentir-sentir.
já acreditei que valia a pena ter fé.
já me queixei do lodo e atirei-me de braços abertos para o que me assusta.
mas a ausência de propósito, a ausência de intenção, o vazio de… de tudo o que conta…
mexe-me com os nervos.
mexe-me com o estômago.
e é um punhal no coração.
e eu com tanto para não fazer…
e eu com tanto para fazer…
já não se trata de virar costas.
é tempo de desistir.
Don’t spend time beating on a wall, hoping to transform it into a door.
(Coco Chanel)