oh captain, my captain!

o dia acordou cinzento, a teimar na possibilidade de chuva. eu acordei com sol no coração, mas logo absorvi nuvens mais escuras e densas que as do céu.
e chovi. e chovi. e voltei a chover.
reação aquosa imprevista mas não imprevisível. incontornável perante nuvens carregadas de um coração triste e também ele carregado.

hoje perdi (sim, primeira pessoal do singular. estou a falar de mim) uma das pessoas mais inspiradoras que me é possível conceber. as gargalhadas, claro. mas mais do que isso. muito mais do que isso. o espírito livre, indomável e sedento de verdade inconveniente. o gozo de ter o poder chocar apenas com a arrogância da transparência do discurso, das intenções.

e perdi-o de uma forma que não tem como cicatrizar. perdi alguém que era combustível para a minha nave espacial. alguém que, mesmo sem partilhar o meu espaço, me fez sentir abraçada e “normal” tantas e tantas vezes.

e perdi-o porque, de certo modo, ele estava perdido de si próprio, da sua grandiosidade e até da sua humanidade. perdi-o porque estava mergulhado numa tristeza que não tenho a presunção de achar que consigo compreender.

e não tem retorno. e volto a chover. e só consigo pensar nos xis que teria para lhe dar. e chovo.
resta-me partilhá-lo com o príncipe do caos. e chover. pelo que consigo colocar em palavras. e chover. pelo que apenas tem forma de nuvem negra dentro de mim.

obrigada.

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