antes, havia sorrisos e vida naquele cantinho tranquilo que não era morada de ninguém.
todos tinham sido chamados para a guerra. e foram.
foram confiantes.
confiantes de que, à noite, do cimo das suas torres celestes, o olhar morno das estrelas cuidaria das flores, as tais flores entre as quais os sol abrasador se espraiava o dia todo.
agora, quem quer que por lá passe salienta a inquietude desse lugar melancólico.
já nada é tranquilo. exceto o ar. esse ar pesaroso que não se consegue esquecer da magia de um lugar remoto.
não, não é o vento que agita aquelas árvores que pulsam como águas geladas que cercam ilhas de nevoeiro.
não, não é o vento que empurra aquelas nuvens que, em reboliço, percorrem céus agitados. sem descanso. de manhã à noite.
sobrevoando as violetas e os seus tapetes de padrões incontáveis mas perfeitamente distintos.
sobrevoando os lírios que acenam e choram sobre campas anónimas.
acenam: da origem do seu perfume brotam gotas de orvalho eterno.
choram: do suporte da sua fragilidade deslizam lágrimas perenes.
* * * * *
resultado de um diálogo com o google sobre inquietude e posterior obsessão por “the valley of unrest” de edgar allan poe. resultado de inquietude. e também de inquietação. resultado de prosódia que fica em loop. resultado de um misto de coragem e inconsciência e de um “que se lixe!” quase pré-adolescente.
aqui, áudio. e o original nas notas.
A minha veia (e artéria, não há como enganar) de tradutora diz-me que já deste os primeiros passos para te aventurares na tradução de poesia. Experimenta agora com o mesmo ritmo e rima com que é dito o poema.