
… mas um dos teus – daqueles giros, daqueles importantes e que te fazem sorrir, daqueles que são mesmo teus e nada têm de meu – é azul.
o nosso amor é verde. o teu amor é azul.
o tratamento de imagem ajudou a tornar o registo mais real: o verde ficou mais verde, o sol mais quente, o espaço mais amplo.
na verdade, foram os pozinhos de ficção aplicados sobre a realidade da fotografia que acentuaram o realismo da memória.
é como se a criatividade tivesse dado asas à miopia. como se os pozinhos de ficção destilassem o que realmente é para mais tarde recordar.
na base, o cenário do verde fofinho e pintado com carinho com os lápis de cera que tanto detestas.
e, por cima desse cenário de píxeis saturados de verde, o movimento de duas bolas azuis: uma rola colada ao verde; a outra flutua, paralela à primeira. a que vai atrás é a que comanda. a comandada segue à frente.