de médico e de louco…

todos temos um dr jekyll e um mr hyde…

(note-se que, com isto não pretendo dizer que não há espaço para mais personalidades. eu cá continuo a ter uma quantidade razoável de momentos de voodoo girl, cathy earnshaw,  mulher do primeiro cego, alice e até de averell dalton para gerir. há espaço para muitos alter-egos em mentes divergentes.
mas, retomando…)

todos temos um dr jekyll e um mr hyde. a linha que os separa raramente é uma poção. para uns poderá até ser algo que se beba, mas não uma poção.
mas o que separa cada dr jekyll do respetivo mr hyde é sempre, mas sempre, algo que entra na corrente sanguínea, algo que entra em contacto direto com as nossas células, algo que transforma a nossa composição.

eu conheço bem o que separa o meu dr jekyll do meu mr hyde. fujo-lhe sempre que posso, exceto quando é a motherboard que “acomoda” o dr jekyll e todas as outras vozes, todos os outros alter-egos, que está em causa. e, quando é assim, há que libertar o mr hyde.

cansada

eu.
muito.

e cansada de estar cansada.
e cansada de sentir o cansaço provocado pelo lodo.
e cansada de olhar para o horizonte e sentir que não há forma de ver outra coisa senão uma imensa autoestrada de lodo.
e cansada de procurar a berma e os pedaços onde ainda vão crescendo flores e ainda onde correm sardaniscas.

já chega de lodo.
eu mereço um horizonte cheiinho de horizonte e não um horizonte carregado de lodo.
é certo que consigo sobreviver no lodo, mas sobreviver é “tão mais pouco” que viver.
e “mais pouco” não me chega.
e “tão mais pouco” é uma treta.
e treta é também de per si um mar de lodo.

já chega de lodo.
já chega de treta.
eu quero um horizonte cheiinho de horizonte.
eu quero sol.

diagrama de venn

há um sítio onde as tuas galochas se encontram com os meus tacões.

há um sítio onde a tua soma do produto de estrelas por malmequeres com o cubo de nuvens fofinhas se encontra com as minhas pivot tables com formatação automática.

há um sítio onde a mãe da flor que gosta de puzzles em geral se encontra com a mãe do hulk que devora labirintos.

há um sítio onde os teus pássaros se encontram com as minhas borboletas.

há um sítio onde a tua casa no campo se encontra com as minhas tatuagens de caveiras e de rosas com espinhos.

e há tantos mas tantos sítios que são só meus e onde te sentes confortável como quem veio tomar um chá e comer biscoitos.
e há tantos mas tantos sítios que são só teus e onde me deixas entrar sem que eu sequer peça licença e que partilhas comigo como se estivesses desde sempre à espera da minha visita.

entre caeiro e régio

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

~ “Para além da curva da estrada”, Alberto Caeiro

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

(…)

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

~ “Cântico Negro”, José Régio

wicked game

o meu reino por uma daquelas coisas dos jogos que permitem saber como está o nosso nível de energia!

não estou a falar da contabilização das vidas (como não sou um gato, essa parte é fácil e nem sequer é preciso contar pelos dedos). é aquela coisa da stamina (palavra deliciosa que soa a marca de drageias de chocolate coloridas).
dava-me cá um jeitaço…
dava-me jeito ter à mão uma ajuda visual que me lembrasse os custos de certos esforços. de preferência que ficasse a vermelho e que fizesse um piii! piii! piii! aflito quando começo a abusar da sorte.
também era giro se fosse um bonequinho saltitão (pelo menos, até deixar de ter razões para saltitar) que lembrasse que essa coisa de fazer uma gestão inteligente da energia até é uma coisa bem pensada.

por outro lado, sempre fui gaja de tetris e nunca me dei bem com rpg. acho que perdia demasiado tempo a olhar para o bonequinho saltitão com receio de que ficasse vermelho, aflito e a fazer piii! piii! piii!
talvez precisasse de um relogiozinho pequenino para indicar o tempo que estava a perder a olhar para o indicador do nível de energia. e também podia ficar vermelho quando o bonequinho saltitão estivesse em vias de deixar de saltitar. e, já que estamos nisto, o reloginho podia fazer um tic-tac tic-tac tic-tac consciencializador quando o piii! piii! piii! aflito estivesse próximo.

sim, dava-me mesmo jeito ter um indicador do nível de energia acompanhado de um temporizador que me ajudasse a evitar perder tempo a olhar para o indicador de energia enquanto ainda não é preciso preocupar-me com o nível de energia.

mas super-hiper-mega-fixe era também ter uma daquelas coisas que permitem ver que armas temos e que armas ainda podemos vir a ter. eh, pá, era mesmo isso…
o meu reino por um gestor de armas!
(e podia ser daqueles que nos atiram com uma bigorna de um quinto andar quando estamos a perder armas pelo caminho… e que ficam vermelhos. e que fazem treish! quando nos acertam com a bigorna na cabeça.)

caetano, dr seuss e bruce lee

“de perto ninguém é normal”
(caetano veloso)

“we’re all a little weird and life’s a little weird. and when we find someone who’s weirdness is compatible with ours, we join up with them and fall in mutual weirdness and call it love.”
(dr seuss)

“i’m not in this world to live up to your expectations and you’re not in this world to live up to mine.”
(bruce lee)

a vida é feita de padrões geométricos a preto e branco e dos contornos indefinidos do arco-íris. de trovões e de mozart. de relâmpagos e de pirilampos.

o mundo é feito de cafuné e de armas biológicas. de mães sem filhos e de crianças que dormem na rua. de tecnologia que parece ficção e de desumanidade que quem dera que fosse ficção.

as pessoas são feitas de sorrisos e de lágrimas, de sol e de chuva. as pessoas são feitas de sorrisos à chuva e de lágrimas que secam com o calor do sol.

os corações são feitos de imperfeições e as almas de impurezas. os corações são músculos poderosos e as almas entidades abstratas e diáfanas.
cada coração tem o seu ritmo e cada alma a sua cor. e os ritmos são tantos e as cores tão diversas que são imensos os mundos dentro do nosso mundo. e as possibilidades de combinações musicais e cromáticas são infinitas.

e é por isso que a vida é arte.

soul sister, to me you are light

to me you are light.
to me you are energy.
the most generous of hearts.
to me you are love and poetry.

to me you are black lace and lollipops.
to me you are babydoll dresses and unexpected stockings.
to me you are music and blood-red cupcakes.
to me you are dark wings and magical handwriting.

to me you are a powerful luminous supernova.
to me you are a beautiful black phoenix. no longer broken, reinvented.

to me you are unique.
to me you are weirdly unique. uniquely weird also.
to me you are weird. wonderful weird. exquisite weird. tim burton weird.
to me you are good weird. you always make sure i know i’m your kind of weird. you always make sure i know i’m unique.

to me you are family.
you hold my hand, you help me grow, you cheer for me.
you always tell me i must be happy on my own terms.
you are my soul sister.
you know me to the core.

to me you are light.
a guiding light that prevents me from straying from what my own adamantium is all about.

to me you are family, love and music.