moutinho sénior

música.
sentido de humor corrosivo.
ver televisão com as minhas pernas em cima das dele.
“o sol brilhava por entre as estrelas…”
rádio preto mono.
leitores de bobinas.
canetas de tinta permanente.
mais música.
relógios.
o relógio que voltou do brasil.
cartas para a colega de carteira / secretária.
les chats sauvages.
roberto carlos.
ver o nascer do sol na serra da estrela e o pôr do sol no algarve. no mesmo dia.
viagens no banco dos palermas.
escarnicador.
credence clearwater revival.
the shadows.
elvis.
louis de funes.
bud spencer.
lucky luke.
asterix.
“e o resto da saia?”
“vou-te buscar à 1h.”
abraços.
lacrau.
“ó rocha, empresta a borracha”.
e mais abraços.
e ainda mais música.
e ainda mais abraços.

a outra mãe do meu filho

a outra mãe do meu filho diverte-se tanto a ensinar como a aprender.
a outra mãe do meu filho leva tão a sério a necessidade de aprender como a de ensinar.

a outra mãe do meu filho consegue olhar para ele e ver, por dentro do crânio camuflado pelos caracóis, um cérebro a ser alimentado pela energia que a hemoglobina, cuidadosa mas apressadamente, traz do coração.
a outra mãe do meu filho consegue olhar para ele e ver, por detrás dos caracóis, um cérebro alimentado pelo coração.
a outra mãe do meu filho consegue ver o fogo de artifício das sinapses e as luzes coloridas a formarem hulks, t-rexs, bonecos de neve e letras e frases e histórias.

a outra mãe do meu filho fica com o coração apertado quando ele está com o coração apertado, quando eu ou o pai dele estamos com o coração apertado.
a outra mãe do meu filho fica com o coração apertado quando precisa de nos dizer alguma coisa que vai fazer com que o nosso coração fique apertado.
o coração da outra mãe do meu filho dá gargalhadas quando o meu filho dá gargalhadas.

a outra mãe do meu filho vai ficar para sempre no meu coração, porque a outra mãe do meu filho ajuda-me a ser uma mãe melhor e, acima de tudo, está a ajudar-me a construir um ser um humano de primeira categoria.

obrigada, B.
um mega-xi!

moutinha by optimus prime

Como vens serena, saída d’entre escolhos,
Com a armadura coberta pelo pó da batalha,
Deixas um rasto de estrelas caídas, que se espalha.
Sente-se o peso dos dias nos teus olhos.

Na mão, a espada afiada, mais não é que uma pena suave,
D’onde jorram inferências complexas, análises místicas,
Por onde se vislumbra o talento, em odes críticas.
E sempre aquela música. E sempre o semblante grave…

Tu és o melhor navio em que embarquei (já são tantos, Senhor),
A agulha mais certa, a palamenta mais completa, o leme orientador,
A âncora que nunca usei em viagens minhas.

E mesmo com a guarda que nunca quero que baixes,
Peço baixinho que sempre voltes e sempre me deixes,
Abrir-te os braços para o abraço em que te aninhas.

moutinha by soulmate

Ela caminha neste mundo
Com saltos tão altos que
O desavisado a vê acima do chão
Desfilando no seu porte de guerreira
A indestrutibilidade do adamantium

Mas quem conhece o seu mundo sabe
Que os sapatos são do mais puro cristal
Frágeis, delicados e transparentes
Que a guerreira vacila nos momentos em
Que do peso da sua decisão dependem outras vidas
E que o seu esqueleto derrete ao mais simples abraço
De todo aquele capaz de a ver com olhos tão límpidos
Como a sua alma.

black swan

The black swan problem

(…) Popper noticed that although a singular existential statement such as ‘there is a white swan’ cannot be used to affirm a universal statement, it can be used to show that one is false: the singular existential observation of a black swan serves to show that the universal statement ‘all swans are white’ is false—in logic this is called modus tollens. ‘There is a black swan’ implies ‘there is a non-white swan,’ which, in turn, implies ‘there is something that is a swan and that is not white’, hence ‘all swans are white’ is false, because that is the same as ‘there is nothing that is a swan and that is not white’.

One notices a white swan. From this one can conclude:

At least one swan is white.

From this, one may wish to conjecture:

All swans are white.

It is impractical to observe all the swans in the world to verify that they are all white.

Even so, the statement all swans are white is testable by being falsifiable. For, if in testing many swans, the researcher finds a single black swan, then the statement all swans are white would be falsified by the counterexample of the single black swan.

(http://en.wikipedia.org/wiki/Falsifiability#Inductive_categorical_inference)

The black swan theory

The black swan theory or theory of black swan events is a metaphor that describes an event that comes as a surprise, has a major effect, and is often inappropriately rationalized after the fact with the benefit of hindsight.

The theory was developed by Nassim Nicholas Taleb to explain:

  1. The disproportionate role of high-profile, hard-to-predict, and rare events that are beyond the realm of normal expectations in history, science, finance, and technology
  2. The non-computability of the probability of the consequential rare events using scientific methods (owing to the very nature of small probabilities)
  3. The psychological biases that make people individually and collectively blind to uncertainty and unaware of the massive role of the rare event in historical affairs

Unlike the earlier philosophical “black swan problem,” the “black swan theory” refers only to unexpected events of large magnitude and consequence and their dominant role in history. Such events, considered extreme outliers, collectively play vastly larger roles than regular occurrences.

(…)

Based on the author’s criteria:

  1. The event is a surprise (to the observer).
  2. The event has a major effect.
  3. After the first recorded instance of the event, it is rationalized by hindsight, as if it could have been expected; that is, the relevant data were available but unaccounted for in risk mitigation programs. The same is true for the personal perception by individuals.

(…)

Taleb said “I don’t particularly care about the usual. If you want to get an idea of a friend’s temperament, ethics, and personal elegance, you need to look at him under the tests of severe circumstances, not under the regular rosy glow of daily life. Can you assess the danger a criminal poses by examining only what he does on an ordinary day? Can we understand health without considering wild diseases and epidemics? Indeed the normal is often irrelevant. Almost everything in social life is produced by rare but consequential shocks and jumps; all the while almost everything studied about social life focuses on the “normal,” particularly with “bell curve” methods of inference that tell you close to nothing. Why? Because the bell curve ignores large deviations, cannot handle them, yet makes us confident that we have tamed uncertainty. Its nickname in this book is GIF, Great Intellectual Fraud.”

(http://en.wikipedia.org/wiki/Black_swan_theory)

não sei nada sobre fadas…

mas sei de uma fada que dança ballet e é cinto laranja de karaté.

é uma fada que gosta de usar dentes de vampiro e de jogar à bola.

é também artista plástica e obcecada com playmobil.

é filha de uma boneca cor-de-rosa e de vestidos com godés mas que sorri com a ideia de vir a ter filha-fada-gótica.

a fada que eu conheço é temerária e acompanha o príncipe do caos em qualquer aventura.

é uma fada que abraça com a alma e traz o coração à flor da pele.

eu não sei nada sobre fadas, mas sei que esta fada é mágica e espalha pozinhos brilhantes que fazem voar. e sorrir.

“Tás a ver?”, Gabriel o Pensador

Estás a ver o que eu estou a ver?
Estás a ver estás a perceber?
Estás a ouvir o que eu estou a dizer?
Estás a ouvir estás a perceber?

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho
Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho
Tenho visto tanta coisa tanta cena
Mais enbaquitante do que qualquer filme de cinema
E se milhares de filmes não traduzem nem reproduzem
A amplitude do que eu tenho visto

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Que uma música é capaz de expressar tudo isso
Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Mas eu preciso acreditar na comunicação
Mas eu preciso acreditar na…
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito
Em sentir o que eu sinto
Se o que eu sinto fica só no meu peito
Por mas que eu seja egoísta
Aprendi a dividir as emoções e os seus efeitos
Sei que o mundo é um novelo uma só corrente
Posso vê-lo por seus belos elos transparentes
Mudam cores e valores mas tá tudo junto
Por mas que eu saiba eu ainda pergunto

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

Tás a ver a linha do horizonte?
A levitar, a evitar que o céu se desmonte
Foi seguindo essa linha que notei que o mar
Na verdade é uma ponte
Atravessei e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais
Como as vidas são iguais
Muito mais do que se pensa
Mudam as caras
Mas todas podem ter as mesmas expressões
Mudam as línguas mas todas têm
Suas palavras carinhosas e os seus calões
As orações e os deuses também variam
Mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar
Mudam os olhos e tudo que eles olham
Mas quando molham todos olham com o mesmo olhar
Seja onde for uma lágrima de dor
Tem apenas um sabor e uma única aparência
A palavra saudade só existe em português
Mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência
A solidão apavora mas a nova amizade encoraja
E é por isso que agente viaja
Procurando um reencontro uma descoberta
Que compense a nossa mas recente despedida
Nosso peito muitas às vezes aperta
Nossa rota é incerta
Mas o que não incerto na vida?

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

A vida é feita de pequenos nadas
Que agente saboreia, mas não dá valor
Um pensamento, uma palavra, uma risada
Uma noite enluarada ou um sol a se pôr
Um bom dia, um boa tarde, um por favor
Simpatia é quase amor
Uma luz acendendo, uma barriga crescendo
Uma criança nascendo, obrigado senhor
Seja lá quem for o senhor
Seja lá quem for a senhora
A quem quiser me ouvir e a mim mesmo
Preciso dizer tudo que eu estou dizendo agora
Preciso acreditar na comunicação
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto
Se o que sinto fica só no meu peito
Por mais que eu seja egoísta
Aprendi a dividi minhas derrotas e minhas conquistas
Nada disso me pertence
É tudo temporário no tapete voador do calendário
Já que temos forças pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Se me ouvires cantando, canta comigo
Se me vires chorando, sorri

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

fazes-me sorrir…

…mas daqueles sorrisos que são ainda mais assertivos que as gargalhadas com vogais abertas.

…daqueles sorrisos que provocam rugas que contam histórias. histórias de sorrisos assertivos.

…daqueles sorrisos que voltam no dia seguinte, vindos do nada, enquanto espero que a máquina me dê o café curto e carregadinho de açúcar.

…daqueles sorrisos que substituem palavras e que são simultaneamente mais amplos e mais concisos que reticências entre parênteses.

…daqueles sorrisos que exprimem balões de pensamento sobre cenas em sítios.

…daqueles sorrisos de “até amanhã”, “até um dia destes”, “até quando o universo quiser”.

…daqueles de dentro para fora.
…daqueles que crescem até ficarem mais largos que o crânio.
…daqueles que me deixam sem jeito.
…daqueles que…
…daqueles…
…daqueles iguais a este.

o que eu quero para mim é o que eu quero para ti

quero sorrir.
quero sorrir porque sim.
quero sorrir porque sinto o sol na pele.
quero sorrir porque o rio fica fantástico em dias de chuva.
quero sorrir porque a minha cabeça vai para onde não deve em momentos inoportunos.
quero sorrir porque dançar me faz sorrir.
quero sorrir quando apago o ashton kutcher para ter espaço para gravar o scooby doo.
quero sorrir quando alguém partilha música comigo.
quero sorrir na antecipação de abraços de qualidade superior.

quero que sorrias para mim, comigo e quando pensas em mim.

quero rir.
quero rir com gargalhadas assertivas e inconvenientes.
quero rir de anedotas que não têm piada.
quero rir porque a vida está recheada de momentos monty python.
quero rir a ver o phineas e ferb.
quero rir por não conseguir controlar o riso.
quero rir a tentar aprender truques de magia para poder ensinar truques de magia (e eu que odeio magia!).
quero rir porque começou uma música que detesto mas que eu sei que me vai fazer dançar.
quero rir até me doer o maxilar porque estamos felizes por estamos juntos e a parvoíce é contagiosa.

quero que te rias comigo, que me faças rir. quero ser capaz de te fazer rir.

quero chorar de tanto rir.
quero chorar sempre que precisar de chorar… pois chorar lava a alma.
quero chorar quando o príncipe do caos me comove com a sua doçura de hulk domesticado.
quero chorar porque sou uma chorona e facilmente me emociono com tretas diversas.

quero ser capaz de procurar ombros capazes de me acolherem quando preciso de chorar. quero que quem precisar de chorar no meu ombro não hesite em procurar-me.

quero saber lidar com a bipolaridade de sentimentos, com a esquizofrenia de ideias e com tudo o que existe de obsessivo-compulsivo na minha maneira de ser.
quero continuar a procurar-me, a encontrar-me.
quero ser a mãe que a criatura merece ter.
quero crescer. ser mais. ser mais eu. ser mais como eu imagino que posso ser.
quero dançar.
e sorrir porque sim.
e rir até me doer o maxilar.
e chorar. pelo sim, e pelo não.