doce preocupação agridoce

preocupo-me quando cais e esfolas os joelhos.
preocupo-me quando não consigo disfarçar que me preocupo quando esfolas os joelhos.
preocupa-me que algo tão inócuo como joelhos esfolados seja uma preocupação para ti.
preocupa-me a tua eventual preocupação com joelhos esfolados te iniba de correr e subir às árvores.

preocupo-me quando olho para ti e pareces ter ficado um ano mais velho de ontem para hoje.
preocupo-me quando não consigo disfarçar o meu sorriso e o meu orgulho por estares tão crescido.
preocupa-me a possibilidade de o meu sorriso orgulhoso te incentivar a querer crescer ainda mais depressa.
preocupa-me que crescer faça de ti um crescido, um daqueles crescidos que já se esqueceram que foram crianças.

preocupo-me quando penso que a tua vida está em vias de dar um salto.
preocupa-me que o ponto de chegada do teu salto seja agreste e te faça querer fugir de volta para o ponto de partida.
preocupa-me a possibilidade de aterrares num local que te faça sentir estrangeiro… e estranho.
preocupa-me que percas de vista que a coragem de quem tem feito cadeirinha para poderes dar esse salto é uma coragem contagiosa e que, num belo efeito boomerang, partiu de ti e retorna sempre a ti.

esta é a preocupação doce.
é uma preocupação soalheira.
é uma preocupação que faz parte de uma delicada renda de bilros guarnecida com sorrisos e abraços e cafuné. e, sim, também castigos, ralhetes e lágrimas redondas.
mas nunca deixa de ser uma preocupação doce e soalheira. a mais doce que conheço. a que me faz ser mais gulosa do que já sou.

o problema é o outro tipo de preocupação. aquela que faz sentir que o universo está em desequilíbrio.
aquela que tira o chão.
aquela que faz com que o céu desabe sobre a cabeça.
a preocupação sem saber quais são as verdadeiras razões para estar preocupada.
a preocupação perante a possibilidade de, depois de o chão desaparecer, cair num rio de lava furiosa.
a preocupação perante a incerteza de que mais poderá chover depois do desabamento celeste.
a preocupação que me faz sentir minúscula, inapta, incompetente.
esta é a preocupação amarga, azeda, acre.

desde que passaste a existir, vivo preocupada.
é agridoce, mas não deixa de ser doce. muito muito muito doce.
não trocava a minha preocupação por nada.
não trocava a minha preocupação agridoce por nada. nada.

 

se fosse eu a decidir, eu (também) te escolhia para ela

porque tu tens a coragem de gostar de uma mulher corajosa.
porque tu tens a força necessária para estar ao lado de uma mulher forte.
porque tu tens a inteligência de perceber o que realmente significa ser escolhido por uma mulher inteligente.

porque sorris só por a veres sorrir.
porque sabes que há muitos sorrisos para distribuir mas os mais cristalinos são para ti.
porque sabes que não precisas de dizer uma palavra para a fazer sorrir.

porque vês como ela é magnífica.
porque o facto de ela ser magnífica não te assusta.
porque sabes que é ainda mais magnífica por ter escolhido alguém que não se assusta por ela ser magnífica.
porque tu estás à altura dela.
porque tu és magnífico.

“eu queria que resultasse. é a tentar que descobrimos até onde conseguimos ir.”

o contexto não interessa. a atitude pode ser rara mas a aplicabilidade é virtualmente universal.
fez-me sorrir. fez-me acreditar. fez-me ter um daqueles momentos de fé daquela que é a fé dos agnósticos.
daquela que é a fé desta agnóstica. esta agnóstica que não acredita em entidades superiores. esta agnóstica que não tem fé na humanidade como coletivo mas tem fé nas pessoas como motores individuais. motores de evolução motores de crescimento.

“é a tentar que descobrimos até onde conseguimos ir.” diz a rapariga que provavelmente está a trabalhar por pouco mais que o salário mínimo.

não é pelo “retorno”, pelo receber de volta, pelo potencial efeito boomerang.
é porque há pessoas que simplesmente são assim, porque há pessoas que não esperam a proverbial cenoura para terem vontade de correr.
é porque há pessoas que simplesmente querem ser mais e não apenas ter mais.

“if you aren’t in over your head, how do you know how tall you are?”
(t. s. eliot)

diagrama de venn

há um sítio onde as tuas galochas se encontram com os meus tacões.

há um sítio onde a tua soma do produto de estrelas por malmequeres com o cubo de nuvens fofinhas se encontra com as minhas pivot tables com formatação automática.

há um sítio onde a mãe da flor que gosta de puzzles em geral se encontra com a mãe do hulk que devora labirintos.

há um sítio onde os teus pássaros se encontram com as minhas borboletas.

há um sítio onde a tua casa no campo se encontra com as minhas tatuagens de caveiras e de rosas com espinhos.

e há tantos mas tantos sítios que são só meus e onde te sentes confortável como quem veio tomar um chá e comer biscoitos.
e há tantos mas tantos sítios que são só teus e onde me deixas entrar sem que eu sequer peça licença e que partilhas comigo como se estivesses desde sempre à espera da minha visita.

caetano, dr seuss e bruce lee

“de perto ninguém é normal”
(caetano veloso)

“we’re all a little weird and life’s a little weird. and when we find someone who’s weirdness is compatible with ours, we join up with them and fall in mutual weirdness and call it love.”
(dr seuss)

“i’m not in this world to live up to your expectations and you’re not in this world to live up to mine.”
(bruce lee)

a vida é feita de padrões geométricos a preto e branco e dos contornos indefinidos do arco-íris. de trovões e de mozart. de relâmpagos e de pirilampos.

o mundo é feito de cafuné e de armas biológicas. de mães sem filhos e de crianças que dormem na rua. de tecnologia que parece ficção e de desumanidade que quem dera que fosse ficção.

as pessoas são feitas de sorrisos e de lágrimas, de sol e de chuva. as pessoas são feitas de sorrisos à chuva e de lágrimas que secam com o calor do sol.

os corações são feitos de imperfeições e as almas de impurezas. os corações são músculos poderosos e as almas entidades abstratas e diáfanas.
cada coração tem o seu ritmo e cada alma a sua cor. e os ritmos são tantos e as cores tão diversas que são imensos os mundos dentro do nosso mundo. e as possibilidades de combinações musicais e cromáticas são infinitas.

e é por isso que a vida é arte.

soul sister, to me you are light

to me you are light.
to me you are energy.
the most generous of hearts.
to me you are love and poetry.

to me you are black lace and lollipops.
to me you are babydoll dresses and unexpected stockings.
to me you are music and blood-red cupcakes.
to me you are dark wings and magical handwriting.

to me you are a powerful luminous supernova.
to me you are a beautiful black phoenix. no longer broken, reinvented.

to me you are unique.
to me you are weirdly unique. uniquely weird also.
to me you are weird. wonderful weird. exquisite weird. tim burton weird.
to me you are good weird. you always make sure i know i’m your kind of weird. you always make sure i know i’m unique.

to me you are family.
you hold my hand, you help me grow, you cheer for me.
you always tell me i must be happy on my own terms.
you are my soul sister.
you know me to the core.

to me you are light.
a guiding light that prevents me from straying from what my own adamantium is all about.

to me you are family, love and music.

 

 

 

frio na barriga

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“faz, todos os dias, uma coisa que te assuste.”
“todos os dias, deves fazer alguma coisa que te meta medo.”
ou, pelo menos, são traduções possíveis.
e traduções há muitas, no entanto as interpretações é que contam. e o que fazemos com elas, mais ainda.

faz coisas que te tiram da tua zona de conforto.
faz coisas que te fazem suspender a respiração.
faz coisas que fazem o teu sangue correr.
todos os dias.

transforma as pedras de kryptonite em sabres de luz.

enche os teus dias com coisas que te fazem cócegas e provocam arrepios ao mesmo tempo.
enche os teus dias com momentos de ar rarefeito mas puro.
enche os teus dias com saltos de paraquedas e equilibrismo num trapézio.
sempre.

não te deixes ficar.
não deixes de dançar à chuva.
não deixes de fazer coreografias no trânsito enquanto cantas uma música diferente da que está a dar na rádio.
não deixes de dar gargalhadas só porque a sala está em silêncio.
não deixes que a tua alma seja limitada pela fronteira da tua pele.

não deixes que a vida seja uma coisa que te acontece.
nunca.