dizem os entendidos que nunca devemos adormecer de mal com aqueles que de quem gostamos.
dizem esses tais entendidos que, nas relações entre crescidos, as discussões, a irritação, a mágoa e talvez até a desconfiança devem ter direito a um time out, uma pausa, um intervalo. no dia seguinte, de cabeça fresca (assumindo que dormir foi possível), retoma-se o assunto, sempre no sentido de o resolver com a bênção de ultravioletas e infravermelhos.
não posso afirmar com segurança que, embora concorde com o princípio, o veja como aplicável às idiossincrasias do “até amanhã. dorme bem.” das relações entre crescidos.
honestamente, nem sequer me interessa afirmar ou desafirmar o que quer que seja relativamente a esse contexto.
por outro lado, entendo-me como suficientemente entendida no assunto quando se trata de um “até amanhã. nana bem. sonha com coisas boas que eu vou sonhar com o teu nariz redondo. adoro-te. não te esqueças que és a minha pessoa preferida.”.
(isto da mesma forma que também sou perita em ficar profunda e dramaticamente ofendida quando a criatura sobe para a cama de cima do beliche sem me dar um beijo sonoro e um xi que implique a utilização de ambos os braços.)
dizem os entendidos que nunca devemos adormecer de mal com aqueles que de quem gostamos.
nas relações entre crescidos, as idiossincrasias podem, sem dúvida, por em causa o que entendem os entendidos. no entanto, quando há um não-crescido em causa, este princípio torna-se um dogma.
“antes de nanares preciso de te dizer uma coisa: eu sei que vai passar mas eu continuo magoada/triste/aborrecida/… com o que disseste/fizeste. seja como for, não te esqueças que és a minha pessoa preferida e que eu vou nanar muito bem porque vou sonhar com o teu nariz redondo. nana bem e sonha só com coisas boas.” – esta é a minha parte.
“dá-me a mão. só um bocadinho, só 2 segundos para eu adormecer a pensar em ti.” – é o que ele me diz.
e dou-lhe a mão. e é aquele mini-xi que, mesmo que dure apenas os tais 2 segundos, sublinha o que somos um para o outro e põe entre parênteses tudo aquilo que, temporário e ligeiro, nada diz sobre nós.
digo eu… que ainda ando a tentar entender-me no que dizem os entendidos.