adoro quando pões as tuas pernas em cima das minhas quando estamos a ver televisão (porque eu faço parte do teu território e porque partilhar coisas havendo contacto físico é bem melhor).
adoro quando te digo que estás a ser ranhoso (porque és) e me respondes “achas?” (porque sabes que és e sabes que és ranhoso como eu sou ranhosa).
adoro quando adormeço na tua cama (porque, agora, eu é que preciso de, de vez em quando, adormecer de mão dada contigo) e acordo com dores por todo o lado (porque… enfim… a cama é tua e devia ser só para ti).
adoro quando perguntas “posso dizer uma coisa?” (porque queres portar-te bem) e não esperas por resposta para começar a falar (porque dizer coisas é mais importante do que assegurar que os outros as querem ouvir).
adoro quando só me deixas ler a minha história preferida quando eu não te peço para escolheres essa (porque és ranhoso e gostas de mandar).
adoro quando danças com ar compenetrado e como se fosse a coisa mais séria do mundo (porque és “profissional” e porque sabes que eu sei que, por dentro, só tens sorrisos).
adoro quando lês, à primeira, palavras que eu não sei que tu sabes (porque gosto de não saber coisas sobre ti e gosto que me ensines “de fininho”).
adoro quando dizes à cabeleireira “quero ficar careca” e a convences a, contra a vontade dela, espalhar os teus caracóis pelo chão com um dramático pente 4 (porque sabes que toda a gente adora os teus caracóis e gostas de lembrar que são teus e de mais ninguém).
adoro quando me pedes para pôr a mesma música que andamos a ouvir em repeat há mais de uma semana (porque está mesmo no ponto para fazeres playback).
adoro quando me perguntas “gostas da música dos aviões?” com ar de gozo (porque sabes que a música me irrita e que fico à espera que a cantes de seguida porque sei que gostas de me irritar).
adoro quando me deixas sem resposta (porque tenho a mania que tenho sempre respostas e gosto que me proves que estou enganada).
adoro quando me dizes que gostas de mim só porque sim (porque sinto que o fazes apenas porque precisas de o dizer… em oposição às vezes em que o fazes porque queres coisas).
adoro quando me dás a mão sem eu te ter que estender a minha (porque somos assim, gente que anda na rua de mão dada com gente de quem gosta, tal como ainda hoje — aos 39 — faço com o meu pai).
adoro quando me lembras que não queres saber se te acham diferente, estranho, peculiar ou que tens algo de errado (porque, obviamente, és estranha e peculiarmente perfeito).
adoro ver-te dormir. porque és lindo. porque és redondo. porque todos os teus traços transmitem paz. porque me fazes sentir que tudo está bem, que as coisas batem certo e o mundo faz sentido, que não me estou a espalhar ao comprido. porque me fazes sentir orgulhosa e especial por ser 100% tua.