black swan

The black swan problem

(…) Popper noticed that although a singular existential statement such as ‘there is a white swan’ cannot be used to affirm a universal statement, it can be used to show that one is false: the singular existential observation of a black swan serves to show that the universal statement ‘all swans are white’ is false—in logic this is called modus tollens. ‘There is a black swan’ implies ‘there is a non-white swan,’ which, in turn, implies ‘there is something that is a swan and that is not white’, hence ‘all swans are white’ is false, because that is the same as ‘there is nothing that is a swan and that is not white’.

One notices a white swan. From this one can conclude:

At least one swan is white.

From this, one may wish to conjecture:

All swans are white.

It is impractical to observe all the swans in the world to verify that they are all white.

Even so, the statement all swans are white is testable by being falsifiable. For, if in testing many swans, the researcher finds a single black swan, then the statement all swans are white would be falsified by the counterexample of the single black swan.

(http://en.wikipedia.org/wiki/Falsifiability#Inductive_categorical_inference)

The black swan theory

The black swan theory or theory of black swan events is a metaphor that describes an event that comes as a surprise, has a major effect, and is often inappropriately rationalized after the fact with the benefit of hindsight.

The theory was developed by Nassim Nicholas Taleb to explain:

  1. The disproportionate role of high-profile, hard-to-predict, and rare events that are beyond the realm of normal expectations in history, science, finance, and technology
  2. The non-computability of the probability of the consequential rare events using scientific methods (owing to the very nature of small probabilities)
  3. The psychological biases that make people individually and collectively blind to uncertainty and unaware of the massive role of the rare event in historical affairs

Unlike the earlier philosophical “black swan problem,” the “black swan theory” refers only to unexpected events of large magnitude and consequence and their dominant role in history. Such events, considered extreme outliers, collectively play vastly larger roles than regular occurrences.

(…)

Based on the author’s criteria:

  1. The event is a surprise (to the observer).
  2. The event has a major effect.
  3. After the first recorded instance of the event, it is rationalized by hindsight, as if it could have been expected; that is, the relevant data were available but unaccounted for in risk mitigation programs. The same is true for the personal perception by individuals.

(…)

Taleb said “I don’t particularly care about the usual. If you want to get an idea of a friend’s temperament, ethics, and personal elegance, you need to look at him under the tests of severe circumstances, not under the regular rosy glow of daily life. Can you assess the danger a criminal poses by examining only what he does on an ordinary day? Can we understand health without considering wild diseases and epidemics? Indeed the normal is often irrelevant. Almost everything in social life is produced by rare but consequential shocks and jumps; all the while almost everything studied about social life focuses on the “normal,” particularly with “bell curve” methods of inference that tell you close to nothing. Why? Because the bell curve ignores large deviations, cannot handle them, yet makes us confident that we have tamed uncertainty. Its nickname in this book is GIF, Great Intellectual Fraud.”

(http://en.wikipedia.org/wiki/Black_swan_theory)

não sei nada sobre fadas…

mas sei de uma fada que dança ballet e é cinto laranja de karaté.

é uma fada que gosta de usar dentes de vampiro e de jogar à bola.

é também artista plástica e obcecada com playmobil.

é filha de uma boneca cor-de-rosa e de vestidos com godés mas que sorri com a ideia de vir a ter filha-fada-gótica.

a fada que eu conheço é temerária e acompanha o príncipe do caos em qualquer aventura.

é uma fada que abraça com a alma e traz o coração à flor da pele.

eu não sei nada sobre fadas, mas sei que esta fada é mágica e espalha pozinhos brilhantes que fazem voar. e sorrir.

“Tás a ver?”, Gabriel o Pensador

Estás a ver o que eu estou a ver?
Estás a ver estás a perceber?
Estás a ouvir o que eu estou a dizer?
Estás a ouvir estás a perceber?

Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho
Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho
Tenho visto tanta coisa tanta cena
Mais enbaquitante do que qualquer filme de cinema
E se milhares de filmes não traduzem nem reproduzem
A amplitude do que eu tenho visto

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Que uma música é capaz de expressar tudo isso
Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Mas eu preciso acreditar na comunicação
Mas eu preciso acreditar na…
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito
Em sentir o que eu sinto
Se o que eu sinto fica só no meu peito
Por mas que eu seja egoísta
Aprendi a dividir as emoções e os seus efeitos
Sei que o mundo é um novelo uma só corrente
Posso vê-lo por seus belos elos transparentes
Mudam cores e valores mas tá tudo junto
Por mas que eu saiba eu ainda pergunto

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

Tás a ver a linha do horizonte?
A levitar, a evitar que o céu se desmonte
Foi seguindo essa linha que notei que o mar
Na verdade é uma ponte
Atravessei e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais
Como as vidas são iguais
Muito mais do que se pensa
Mudam as caras
Mas todas podem ter as mesmas expressões
Mudam as línguas mas todas têm
Suas palavras carinhosas e os seus calões
As orações e os deuses também variam
Mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar
Mudam os olhos e tudo que eles olham
Mas quando molham todos olham com o mesmo olhar
Seja onde for uma lágrima de dor
Tem apenas um sabor e uma única aparência
A palavra saudade só existe em português
Mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência
A solidão apavora mas a nova amizade encoraja
E é por isso que agente viaja
Procurando um reencontro uma descoberta
Que compense a nossa mas recente despedida
Nosso peito muitas às vezes aperta
Nossa rota é incerta
Mas o que não incerto na vida?

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

A vida é feita de pequenos nadas
Que agente saboreia, mas não dá valor
Um pensamento, uma palavra, uma risada
Uma noite enluarada ou um sol a se pôr
Um bom dia, um boa tarde, um por favor
Simpatia é quase amor
Uma luz acendendo, uma barriga crescendo
Uma criança nascendo, obrigado senhor
Seja lá quem for o senhor
Seja lá quem for a senhora
A quem quiser me ouvir e a mim mesmo
Preciso dizer tudo que eu estou dizendo agora
Preciso acreditar na comunicação
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto
Se o que sinto fica só no meu peito
Por mais que eu seja egoísta
Aprendi a dividi minhas derrotas e minhas conquistas
Nada disso me pertence
É tudo temporário no tapete voador do calendário
Já que temos forças pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Se me ouvires cantando, canta comigo
Se me vires chorando, sorri

Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como agente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?

Nossa vida é feita
De pequenos nadas

fazes-me sorrir…

…mas daqueles sorrisos que são ainda mais assertivos que as gargalhadas com vogais abertas.

…daqueles sorrisos que provocam rugas que contam histórias. histórias de sorrisos assertivos.

…daqueles sorrisos que voltam no dia seguinte, vindos do nada, enquanto espero que a máquina me dê o café curto e carregadinho de açúcar.

…daqueles sorrisos que substituem palavras e que são simultaneamente mais amplos e mais concisos que reticências entre parênteses.

…daqueles sorrisos que exprimem balões de pensamento sobre cenas em sítios.

…daqueles sorrisos de “até amanhã”, “até um dia destes”, “até quando o universo quiser”.

…daqueles de dentro para fora.
…daqueles que crescem até ficarem mais largos que o crânio.
…daqueles que me deixam sem jeito.
…daqueles que…
…daqueles…
…daqueles iguais a este.

o que eu quero para mim é o que eu quero para ti

quero sorrir.
quero sorrir porque sim.
quero sorrir porque sinto o sol na pele.
quero sorrir porque o rio fica fantástico em dias de chuva.
quero sorrir porque a minha cabeça vai para onde não deve em momentos inoportunos.
quero sorrir porque dançar me faz sorrir.
quero sorrir quando apago o ashton kutcher para ter espaço para gravar o scooby doo.
quero sorrir quando alguém partilha música comigo.
quero sorrir na antecipação de abraços de qualidade superior.

quero que sorrias para mim, comigo e quando pensas em mim.

quero rir.
quero rir com gargalhadas assertivas e inconvenientes.
quero rir de anedotas que não têm piada.
quero rir porque a vida está recheada de momentos monty python.
quero rir a ver o phineas e ferb.
quero rir por não conseguir controlar o riso.
quero rir a tentar aprender truques de magia para poder ensinar truques de magia (e eu que odeio magia!).
quero rir porque começou uma música que detesto mas que eu sei que me vai fazer dançar.
quero rir até me doer o maxilar porque estamos felizes por estamos juntos e a parvoíce é contagiosa.

quero que te rias comigo, que me faças rir. quero ser capaz de te fazer rir.

quero chorar de tanto rir.
quero chorar sempre que precisar de chorar… pois chorar lava a alma.
quero chorar quando o príncipe do caos me comove com a sua doçura de hulk domesticado.
quero chorar porque sou uma chorona e facilmente me emociono com tretas diversas.

quero ser capaz de procurar ombros capazes de me acolherem quando preciso de chorar. quero que quem precisar de chorar no meu ombro não hesite em procurar-me.

quero saber lidar com a bipolaridade de sentimentos, com a esquizofrenia de ideias e com tudo o que existe de obsessivo-compulsivo na minha maneira de ser.
quero continuar a procurar-me, a encontrar-me.
quero ser a mãe que a criatura merece ter.
quero crescer. ser mais. ser mais eu. ser mais como eu imagino que posso ser.
quero dançar.
e sorrir porque sim.
e rir até me doer o maxilar.
e chorar. pelo sim, e pelo não.

às vezes, a vida parece cinema

quando olho para o meu filho e vejo tão claramente a alma e o brilho do meu pai

quando uma amiga me diz que o que escrevi há meses e decidi voltar a publicar hoje era mesmo aquilo de que ela estava a precisar

quando pergunto a um dos “meus” quem é que ele acha que eu sou, como é que me vê e recebo de resposta um soneto

quando um abraço significa “não quero saber se temos um oceano entre nós porque só a qualidade dos xis é que conta”

quando me preparo para enfrentar um momento potencialmente difícil e sou brindada com um “oh captain, my captain”

quando alguém desconhecido vem ter comigo e diz que andava à minha procura

quando finalmente cumpro uma promessa e me apercebo que os anos que passaram entretanto tornaram a promessa redundante

quando adio o “vamos dormir?” porque a música ainda não acabou e me sinto dentro de um videoclip

quando olho para o ano novo e decido que vai ser “a partir” porque sei que estou acompanhada por quem me vai ajudar a pôr essa intenção em prática

quando não consigo dormir porque há um texto às voltas na minha cabeça a exigir ser publicado

“Both Sides, Now”, Joni Mitchell

Rows and flows of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I’ve looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I’ve looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It’s cloud illusions I recall
I really don’t know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As every fairy tale comes real
I’ve looked at love that way

But now it’s just another show
You leave ‘em laughing when you go
And if you care, don’t let them know
Don’t give yourself away

I’ve looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It’s love’s illusions I recall
I really don’t know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say “I love you” right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I’ve looked at life that way

Oh but now old friends are acting strange
They shake their heads, they tell me that I’ve changed
Well something’s lost but something’s gained
In living every day

I’ve looked at life from both sides now
From win and lose and still somehow
It’s life’s illusions I recall
I really don’t know life at all

I’ve looked at life from both sides now
From up and down and still somehow
It’s life’s illusions I recall
I really don’t know life at all

alinhas?

começa sempre com uma ideia, um conceito, uma história dentro da história, uma fotografia mental que junta passado e presente, dor e alegria, coração e espada,…
“alinhas?”
“alinho.”

depois, o retiro. já disse o que precisava de dizer. e dou-te espaço. nem ansiosa fico. quando for o momento, depois de dares as voltas que precisares de dar, vens ter comigo. “estava a pensar que podíamos fazer qualquer coisa deste género.”
e eu sorrio. e sorrio ainda mais. já aconteceu ficar com as pernas a tremer. e continuo a sorrir, a ler cada traço, a digerir cada pormenor.
e é sempre a minha história e, por alguma razão que não compreendo (nem sinto necessidade de compreender), é a minha história contada por mim mas concretizada pela tua mão. e lá estão elas, as camadas de significado que acrescentaste e que, curiosamente, tornam a minha/tua versão da minha história mais rigorosa, mais delineada, mais viva.

e dos rabiscos aos traços e sombras e arte na minha pele é um salto muito rápido. e, claro, com a ajuda de mais um talentoso contador de histórias, sempre consciente de que as histórias  que regista têm que manter o brilho durante muitos anos.

no fim, de olhos nos olhos, sorrimos. ambos sentindo a responsabilidade. a responsabilidade de, tal como com o brilho do registo na pele, não deixar desaparecer os que, num dia de coragem e cumplicidade, celebraram um tratado: “alinhas?”, “alinho”.

brincadeiras com fogo

no princípio, era o fogo.

já não era uma pseudo-evidência de ação divina, é certo, contudo ainda se revestia de um não-sei-quê de inexplicável. talvez por se tratar de uma fotografia, ainda por cima digital, que transmitia calor ou, mais precisamente, que transmitia quentinho. digital quentinho… curioso…

Playing with fire - Copy

– posso fazer o que me apetecer?
– podes. é precisamente para isso que vai deixar de ser minha e passar a ser nossa.

e assim foi. bem, foi mais ou menos assim. na verdade, açambarquei-a. fiz questão de ler um “tua” no “nossa”, embora não tenha perdido de vista o “nossa” que queria que resultasse do processamento do “tua”. sim, porque só fazia sentido se tivesse o que devolver. num pingue-pongue de significados, leituras, interpretações. polvilhados com o talento e a criatividade de gente camaleónica.

das chamas quis que ficasse a forma anarca (a anarquia, esse leitmotiv). a ausência de cor foi, então, substituída pela soma de todas as cores, rgbcamente falando. depois, decantei a mistura e o resultado foi de zeros e uns, preto e branco, sim e não. em última análise, yin e yang.

o resultado manteve a essência do original: o afastamento de qualquer ideia de padrão e o realçar de uma forma com movimento explicitamente orgânico. isto com a transformação de um elemento noutro. do fogo ao ar. das chamas ao fumo. da fonte de calor ao vapor de água. da concentração de energia à dispersão de um eventual aroma.

Playing with fire_reverse_bw_xl_v3 - Copy

sim, o resultado manteve a essência do original: a multiplicidade de leituras de uma ausência de padrão e a paz do movimento orgânico.

definitivamente, o resultado manteve a essência do original: o “teu” partilhado que passa a ser “meu” e que, mesmo depois de processado, continua a ser inequivocamente “nosso”.

(obrigada)