“como é que eu explico isto ao meu filho?”

lembro-me perfeitamente de acordar no dia 9 de novembro de 2016, ler as notícias sobre as eleições nos EUA e pensar “como é que eu explico isto ao meu filho?”.

depois desse dia e depois dessas eleições já tive muitas vezes que tentar explicar ao meu filho muitas coisas que eu própria não percebo.

acho que continuo a ser bastante incompetente a explicar a origem do ódio e do medo que motiva ódio. a explicar porque é que há pessoas que acham que os outros têm que ser menos para que elas se sintam mais. a explicar porque é que há pessoas que têm tanta vontade de mandar nas outras, nos corpos das outras, nos afetos das outras.

também sou incompetente a tentar explicar porque é que o que se passa nos EUA é só uma montra para o que se passa no mundo, no retângulo tuga. a explicar porque é que a normalização do inormalizável se tornou tão real. a explicar porque é que isto não “é coisa dos malucos dos americanos”, é coisa de uma humanidade cada vez menos humana.

a minha criatura sabe bem que não é a minha incompetência que me inibe de tentar explicar-lhe coisas que eu não percebo. ele sabe que tanto falo com ele sobre kriptonite como sobre sabres de luz. sobre a liberdade dos dentes-de-leão e sobre as prisões feitas de espinhos de rosas. sobre o Super-Homem que há no Clark Kent e sobre o Logan que há no Wolverine.

eu é que tinha a veleidade de achar que o Mundo que eu tinha para oferecer ao príncipe do caos era mais… assim, tipo… mais melhor.

Deixar uma resposta