– Está? Bom dia. Eu já tinha ligado ontem, minha senhora. Sim, tenho umas fotografias para vender e estou a contactar várias revistas para saber se têm interesse em comprá-las. Exato, é isso mesmo. São fotografias da mesma estrela de cinema que fez a vossa capa na edição anterior. Não, ninguém me viu. É impossível que me tenham visto. Absolutamente impossível. Claro que tenho a certeza, minha senhora. E tenho a certeza de que não estava lá mais nenhum colega meu, pois teria sido visto e apanhado pelos guarda-costas. Não, já lhe disse: é impossível que me tenham visto. Exatamente, são fotografias exclusivas. Preciso de saber que valores estão dispostos a pagar antes de enviar algumas provas. Eu compreendo, minha senhora, mas é assim que as outras revistas trabalham. E eu sou um profissional e não posso arriscar a colocar o meu trabalho nas vossas mãos sem garantias de que o valorizam. Não, minha senhora, não é negociável: preciso de saber valores de antemão. Desculpe? Como? Importa-se de repetir? Não estava a contar com uma oferta tão baixa. Não, não estou interessado. Não, minha senhora, por esse valor nem pensar. Sou um profissional e já trabalho com a vossa revista há mais de 5 anos. Não, minha senhora, já lhe disse que esse valor não me interessa. Trata-se de um trabalho profissional, que resulta de um investimento de muitas horas. Pelo valor que me está a oferecer, percebo que não estão interessados em fotografias exclusivas das férias de uma estrela como esta. Não, minha senhora, sendo assim, vou contactar a vossa concorrência. Pois, minha senhora, eu compreendo, mas, como deve calcular, não vou vender o meu trabalho como se eu fosse um paparazzo amador. Tenha uma boa tarde, minha senhora, e bom trabalho.
Parece impossível! Eu sou um profissional e tratam-me como se fosse fácil tirar fotografias a pessoas que não querem que lhes tirem fotografias…
