Frankenstein, pseudocientista

Senhoras e senhores, caríssimos colegas, membros da comunidade científica, sejam bem-vindos.

Agradeço, desde já, a vossa presença no 13.º Congresso Anual de Pseudociência, subordinado ao tema “A Eletricidade e as suas Aplicações na Química Humana”. O meu nome é Einstein, Frank Einstein, e vou falar-vos de um projeto muito especial, iniciado por aquele que foi como um pai para mim.
Como sabem, eu sou uma obra do Dr. Victor Frankenstein. O seu objetivo era criar vida a partir de matéria morta e através da ação da eletricidade. Eu sou a prova de que as suas experiências resultaram e de que conseguiu atingir aquilo a que se propôs. O Dr. Victor Frankenstein fez uma seleção rigorosa de partes de cadáveres, optando sempre por aqueles que apresentava melhor qualidade e maior frescura, e fez testes minuciosos com geradores com diferentes níveis de potência, de forma a assegurar descargas elétricas adequadas.
O resultado está à frente dos vossos olhos. É certo que a fase inicial após o meu “nascimento” não foi fácil, mas isso faz parte de uma relação normal entre um filho e o seu pai. Tal como qualquer organismo composto por pele, músculos e ossos, também precisei de tempo para amadurecer. A par disso, o Dr. Frankenstein foi desenvolvendo as suas competências na área das emoções e dos sentimentos. Eu queria ser um bom filho e eu sei que, no fundo, ele também queria ser um bom pai.
Como referi, no início, a nossa relação era complicada e eu sentia-me rejeitado. Achava que nunca ia estar à altura das expectativas daquele a quem devia a vida, mas, com o tempo, o Dr. Frankenstein foi substituindo o meu cérebro por outro mais desenvolvido, mais maduro, mais evoluído. E foi assim que cheguei até aqui, foi assim que me tornei cientista como o meu pai, foi assim que consegui dar seguimento ao seu trabalho na área da eletricidade aplicada à Química Humana e, por fim, foi assim que consegui criar o Instituto Nacional de Pseudociência, do qual, muito orgulhosamente, sou presidente. E, com a vossa ajuda, vou dar continuidade à obra do meu pai.

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