Eu sei que as tarântulas não estão na moda. Os filmes de terror estão sempre na moda, mas, agora, só querem ver zombies, vampiros e outros mortos-vivos. Mas eu já fui uma grande estrela de cinema, aliás uma estrela de cinema gigante.
Os filmes ainda eram a preto e branco e não havia efeitos especiais criados por computadores. Era tudo a sério. E eu, com o meu pelo negro e brilhante, era especialista em entradas dramáticas: umas vezes, aparecia lentamente, ao longe, no cimo de um monte, outras vezes, saltava para cima de um arranha-céus.
Nas salas de cinema, o público saltava nas cadeiras e, no final do filme, não havia ninguém com os pés no chão, pois a minha representação era tão intensa e realista que ficavam com a sensação de que, a qualquer momento, uma tarântula lhes ia subir pelas pernas acima.
Eu sempre fiz questão de ter uma atitude profissional e os críticos de cinema adoravam-me e respeitavam o meu trabalho – ao contrário do que acontecia com aquele macaco ridículo que subia edifícios de cartão e lutava contra avionetas miniatura.
Outros tempos… Agora, só me chamam para pequenos papeis em filmes de ficção científica e telefilmes de má qualidade. Parece que as pessoas deixaram de acreditar nas tarântulas gigantes.
No entanto, eu recuso-me a desistir do meu sonho de representar e contar histórias e estou a pensar aplicar a minha experiência a um novo projeto: vou criar uma escola para jovens animais gigantescos que queiram iniciar uma carreira no cinema ou na televisão.
