Um Vampiro no centro de saúde

Boa tarde. Acho que chamaram o B-314, e é a minha senha. Eu vinha levantar uma receita. O meu nome é Vladimir dos Cárpatos e sou reformado (há uns bons 750 anos!). A minha médica é a Doutora Ludmila e foi ela que me telefonou a avisar que podia vir buscar a receita.

É que, com a idade, tornei-me intolerante a sangue humano. É terrível, fico com a pele rosada e com um ar saudável muito estranho. E fico tão bem disposto que nem sequer me atrevo a sair à rua. Já experimentei de tudo. Cheguei a fazer um tratamento que estava a ter excelentes resultados com vários tipos de mortos-vivos; era com injeções de sangue O negativo, sangue de doador universal. Consultei vários especialistas e todos me diziam que era adequado para mim. Mas, não sei porquê, não resultou, pois eu acordava cheio de energia e com vontade de apanhar sol. Nem me quero lembrar, foram tempos difíceis.

Entretanto, a minha vizinha do 3.º esquerdo sugeriu-me uma consulta de medicina alternativa. Eu estava tão desesperado que fui. Foi uma desgraça, espetaram-me uma série de agulhas e, como estou morto, a minha pele não cicatriza e fiquei todo picotado.

Mas, pronto, agora ando a tomar estas ampolas de sangue artificial. É prático porque tomo só uma por dia dissolvida em água. Incomoda-me o agradável sabor a morango, contudo não me posso queixar, porque voltei ao normal. Agora acordo sempre muito pálido e ando o dia todo a arrastar-me por lugares sombrios. Só espero que não tenha efeitos secundários: não me dava jeito nenhum que o sangue artificial me curasse a úlcera.

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