Parecia que ia ser um dia normal. Estava sol e quase não havia vento. Era verão mas não estava demasiado quente.
Eu já tinha dado o pequeno-almoço aos meus filhotes. Ainda passavam a maior parte do tempo no ninho mas já começavam a tentar voar. Eu, emocionada, observava-os enquanto brincavam com dois ou três arbustos que tinham arrancado (tinham nascido apenas há uns dias e já eram do tamanho de vacas; os miúdos agora crescem tão depressa…).
A certa altura, ouvi o som de um motor. Era um barco – minúsculo – que se aproximava da praia. Dele saíram dois humanos – ainda mais minúsculos – e começaram a caminhar na minha direção. Eu não estava com paciência para aturar desconhecidos e, para além disso, estava entretidíssima com as minhas crianças (tão fofas!).
– Desculpe. Nós estamos à procura de um pássaro Roca. Sabe dizer-nos onde podemos encontrar um pássaro Roca? – disse uma voz fraquinha e aguda. Apeteceu-me fazer de conta que não tinha ouvido, mas os meus filhos estavam a ver e não era esse o exemplo que lhes queria dar. Por outro lado, apetecia-me brincar com a situação: até o meu mais novo olhou para mim com ar de “Mas nós somos pássaros Roca…”.
– Bom dia. Estão à procura de um pássaro quê?
– De um pássaro Roca. É uma criatura fantástica, segundo dizem. É tão grande que até consegue transportar vacas com as suas garras.
Os meus filhos riram-se e aproximaram-se daqueles seres pequeninos. Os seres pequeninos assustaram-se, pois os meus filhotes eram maiores do que eles. Pensei “Sim, são grandes, grandes como filhotes de pássaro Roca.”.
– Já ouvi falar desses pássaros. De facto, dizem que são magníficos. E inteligentes. Mais inteligentes do que os seres humanos.
– Ai sim? Sabe onde podemos encontrá-los?
– Não, não faço a mínima ideia.
Estava sol e parecia que ia ser um dia normal.
