A Nessie, de Loch Ness

Querido diário:

Voltou a acontecer. E estou triste. Foi no final da manhã. O sol brilhava e estava um dia muito bonito. Eu decidi ir fazer algum exercício e respirar ar fresco.

Num momento em que passava mais perto da margem, junto àquela clareira tão bonita (ai, e tão romântica!) lá na margem sul do lago, vi-os. Eram quatro e acho que se preparavam para fazer um piquenique. Fiquei logo com o coração a bater mais depressa. “Será que é desta vez que vou fazer amigos?”, pensei. “Estes não parecem ser medrosos nem assustadiços…” E, feliz, nadei na direção deles.

À medida que me aproximava, comecei a ouvir as suas vozes e as suas gargalhadas. “Vai correr bem, Nessie, vais ver que, desta vez, vai correr bem.”, tentei convencer-me. No entanto, assim que me viram, as gargalhadas transformaram-se em gritos e desataram a correr. Um deles ainda ficou parado a olhar para mim durante uns segundos e pegou na máquina fotográfica. Eu fiquei contente e, querendo ser simpática, fiz pose e sorri para a câmara. Acho que ficou ainda mais assustado, quase deixou cair a máquina fotográfica e fugiu.

E eu fiquei novamente sozinha. Não sei o que faço de errado. Só queria dizer-lhes olá e que fico muito contente por virem visitar a minha casa, mas o resultado é sempre o mesmo: fogem. Gritam e fogem.

Aposto que amanhã a internet vai estar inundada de fotografias desfocadas e relatos de mais um grupo de pessoas que viram o “monstro” de Loch Ness. Monstro, eu? Eu não sou um monstro, eu sou a Nessie, e até sorri para a fotografia… Os humanos são muito estranhos.

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