Está tudo calmo e a água começa a borbulhar.
“O que é aquilo?” perguntam.
Pequenas ondas nascem num remoinho e transformam-se em grandes ondas.
“Será que é…?”
E eu levanto um tentáculo. Dois tentáculos.
Três, cinco, dez tentáculos. Vinte tentáculos.
E começam a entoar “Kra-ken! Kra-ken! Kra-ken!”
Faço uma pausa dramática e volto a mergulhar.
E, aí, ecoa um “ooooh” desapontado.
A minha cabeça começa a ficar à tona e mantenho-me a boiar assim durante um ou dois minutos, só para dar tempo para aumentar o burburinho.
A emoção e o entusiasmo continuam a crescer e eles voltam a entoar “Kra-ken! Kra-ken! Kra-ken!”
De uma só vez, ergo vinte tentáculos e inicio uma coreografia ao ritmo do coro de vozes. Num movimento teatral e quase excessivo, exibo os meus cem tentáculos.
“Kra-ken! Kra-ken! Kra-ken!”
Mergulho de repente e volto à superfície num salto digno de um golfinho.
Começa a bateria, a seguir o baixo e, depois, a guitarra.
“KRA-KEN! KRA-KEN! KRA-KEN!”
A baía é enorme, mas sentimo-nos tão próximos como se estivéssemos numa pequena sala para concertos intimistas.
Cumprimento-os: “Boa noiteeeeeee! Quero ouvir-vooooos!”
Batem palmas, gritam e uivam. Acho que até há alguns desmaios.
“Estão preparadoooooos? Não estou a ouvir! Estão preparadoooos? Então, vamos lá. Um, dois. Um, dois, três, quatro!”
