A magia do Unicórnio

“Vem comigo!”, dizem-me com ternura.
Estendem-me os braços, acariciam-me a crina e dizem-me “Vem comigo!”
Eu olho-os, olhos nos olhos: os meus, vermelhos; os deles, humanos.

Não quero ir. Elogiam o meu pelo preto e brilhante. Dizem que sou mágico e que o meu chifre traz sorte e felicidade.
Dizem-me “Vem comigo!” com doçura, aproximam-se e tentam controlar-me com rédeas e freio.

Não quero ir. Se vim ao mundo, foi para ser livre, para galopar pelos campos, para correr e respirar bem fundo.
Não quero ir. Não quero afetos falsos e ocos. Se acreditam que sou mágico, se acreditam que a espiral do meu chifre traz sorrisos, não me digam “Vem comigo”. Não há magia com rédeas, não há magia quando somos prisioneiros.

Não quero ir. Quero ser livre, quero correr e respirar.
Se é magia que procuram, então, sou eu que vos digo “Pousem o freio, larguem as rédeas e venham comigo!”.

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