dizem que somos a média das 5 pessoas com quem passamos mais tempo…

diz o povo (a.k.a., a internet) que foi o xor Jim Rohn que se lembrou disto. “ai e tal, se nos rodearmos de gente fantástica, podemos ser réplicas da sua fantasticice”. (bem, talvez não tenha usado estas palavras, mas a coisa não anda longe disto.)

é uma ideia interessante, sim, senhor, e foi até pregada aos quatro ventos pelos Tim Ferris e os Tony Robbins desta vida. “ai e tal, se nos livrarmos dos amigos fatelas e ficarmos só com os fantásticos, podemos ser cada vez menos fatelas e cada vez mais fantásticos”. (neste caso, as palavras não terão sido assim muito diferentes destas.)

o pessoal da psicologia não acha piada nenhuma à ideia: é fria e calculista, e o ser humano precisa de pessoas fofinhas e de… bege. “ai e tal, se convivermos só com pessoas que são mais fantásticas que nós, acabamos por ser nós os fatelas e arriscamo-nos a que sejam os fantásticos a livrarem-se de nós.” (isto em palavreado tipo-assim-a-dar-para-o-técnico-mas-não-demasiado-se-não-ninguém-partilha-isto-no-facebook.)

não sei como é com os outros — e gostos não se discutem — mas eu cá gosto de gente que me puxa para cima. gosto de gente que acha que posso ser, querer e fazer sempre mais. gente que não tem pruridos e me chateia para eu não ser chata.

pode parecer fatela, mas gosto de gente que me é útil.
pode parecer pouco fantástico, mas gosto de quem investe em mim.

gosto de ter por perto gente que cobra os meus bluffs e me força a reconhecer quando não sigo os conselhos de autopreservação que dou aos outros.

gosto de me rodear de gente que me ameaça atirar-me com a minha própria bigorna quando estou a ser um calhau.

gosto de ter por perto gente que é capaz de, numa discussão em que concorda comigo, defender o contrário só para me levar a pensar e repensar os meus argumentos.

gosto de ter à mão quem me diz “gosto muito da tua ideia para a história para miúdos mas quando a escreveres não te percas e não te deixes esquecer que o teu modelo de miúdo não é um miúdo comum”.

gosto de investir o meu tempo em gente que investe em mim, que me diz “não existo para te facilitar a vida”, que me lembra “se o que queres é uma palmada nas costas, não venhas ter comigo porque eu não sirvo para isso”.

eu cá gosto de gente que me puxa para cima. de gente que se dá ao trabalho de me puxar para cima. que nem considera outra hipótese se não puxar-me para cima.

mas, como dizia o meu professor de psicologia, “cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente”. e gostos não se discutem.

2 thoughts on “dizem que somos a média das 5 pessoas com quem passamos mais tempo…

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