na segunda de manhã, deixei-te na escola.
como se tornou hábito, despedes-te de mim junto ao carro e de costas para a escola (para não haver “público”) com o mesmo beijo nos lábios que me dás desde que aprendeste a dar beijos (na altura só davas beijos nos lábios, mas, agora que já aprendeste a lidar com o desconforto de quem não sabe o que fazer com os teus beijos mais puros, só eu é que ainda tenho direito a eles).
na segunda de manhã, deixei-te na escola.
“tem um bom dia!”, “diverte-te!”, “não dês cabo da cabeça à professora!”, “come o lanche antes de ires a correr para o recreio!”, “adoro-te, totó ranhoso!”
na quarta à noite, voltas.
as novidades sobre os discos voadores dos angry birds são mais urgentes do que o beijo e o xi. entras a debitar as novidades e passas por mim para pousar a mochila e ver se há algo se interessante na sala e na cozinha. voltas à porta para o triunvirato beijo + xi + “adoro-te”. e vais para o teu quarto buscar a bola para treinares os triplos usando o espaço entre a porta da sala e a parede como cesto.
na quarta à noite, voltas.
abro a porta e os teus caracóis estão mais perto dos meus olhos. no meu cérebro, a palavra “altura” funde-se com “altitude”. não sei como é que cresces tanto em três dias. só sei que é um facto: cresces muito em três dias. cresces muito em três dias sem nos vermos.
na segunda de manhã, deixei-te na escola.
na quarta à noite, voltas.
em três dias, os teus caracóis ficam mais próximos dos meus, os teus olhos mais próximos dos meus. ainda te esticas para me dar um beijo nos lábios, mas isso é só porque eu estou nas nuvens.
É muito amor envolvido, como dizem aqui no Brasil, lindontexto como sempre, beijos.
Enviado do meu iPhone
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