preto no branco

hoje passaram-me umas dezenas largas de livros pelas mãos. literalmente. literalmente dezenas. literalmente pelas mãos.
livros para miúdos. livros para graúdos. livros para graúdos perdidos à procura dos miúdos que não chegaram a ser.
histórias doces. poemas agridoces. recordações em forma de crónicas. fugas para a frente embebidas em versificação clássica.

homero. um cheirinho a shakespeare. o meu pé de laranja lima. um saramago que me falta. um torga com bichos. um torga sem bichos. um o’neill com ar de desafio. lorca digno de encadernação especial e ainda protegido por plástico.
ilustração inspiradora. ilustração tipo-estado-novo. ilustração a merecer um fósforo acesso.
mia couto e a terra vermelha. a anne frank sentada junto à secretária e a sorrir para a foto. uma sophia esculpida pela objetiva de cutileiro. as cantigas de escárnio e mal dizer revisitadas por natália correia. o desassossego do fernando recolhido e organizado pelo bernardo. páginas e páginas de um régio insistentemente esgotado quando o procuro.

e, no canto da mesa, o vonnegut a olhar de soslaio. nitidamente ciumento.
pudera!

Deixar uma resposta