silêncio

o silêncio enquanto o leite aquece no microondas e eu vou buscar o chocolate à despensa.
o silêncio quando acordo de noite porque te oiço falar (sinto que te sentas de olhos ainda fechados) e enquanto espero para perceber se voltas a dormir por ti ou se precisas de 3 nanossegundos de cafuné para acalmar.
o silêncio que fica no carro quando aumento o volume da música depois de te deixar na escola.

o silêncio enquanto o telemóvel toca e eu decido se me apetece atender, se me apetece falar, se me apetece responder a perguntas de quem se preocupa comigo.
o silêncio enquanto o telefone toca lá do outro lado à procura de quem me deixou uma chamada não atendida que me deixou inquieta.

o silêncio enquanto o terminal de multibanco verifica se posso pagar com aquele cartão ou nem por isso.
o silêncio quando entro na confeitaria, olho para os eclairs, eles sorriem de volta mas tenho de sair porque todas as mesas estão cheias.
o silêncio quando leio o meu horóscopo com o ceticismo que me é intrínseco e chego ao último ponto final e confirmo o vazio do texto.

o silêncio do quarto ainda escuro mas consciente da ante-estreia de primavera para lá das persianas.
o silêncio esfumado e longínquo da discussão “dorme mais um bocado” versus “levanta-te e vai fazer coisas”.

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