hoje, o meu feed do facebook acordou carregadinho de posts sobre o anúncio do jon stewart (sim, também com alguma coisa sobre a uma thurman, mas era o algoritmo — que me conhece melhor do que muita gente que se considera meu amigo — a gozar comigo).
posts em inglês, posts que denotam sentimento de perda e algum receio.
foi bom ler esse sentimento de perda, ler esse receio. não há assim tantas vozes dissonantes que tragam a segurança que só a verdade transmite, que nos tragam a sensação “pelo menos este não é bullshit” que facilmente é extrapolada para “pelo menos este não nos engana”.
foi bom sentir que se reconhece valor ao que essas pessoas trazem, mesmo que o contexto em que passamos os nossos dias só saliente a excecionalidade (o corretor ortográfico queria que eu escrevesse “excentricidade”; é provável que tenha razão) de quem quer viver em verdade.
por outro lado, não deixa de ser assustador sentir o receio. o receio de que se calem as vozes verdadeiras. é assustador sentir que as vozes verdadeiras parecem ser, por definição, de terceiros. é assustador sentir que o receio não é ultrapassado com a certeza de que qualquer voz pode ser verdadeira. com a certeza de que só temos realmente uma voz se ela for verdadeira.
agora, à tarde, o meu feed do facebook já tem posts em português a par com os posts em inglês. agora, à tarde, já não se celebra a voz verdadeira. fala-se usando tempos verbais no passado e faz-se luto. aparentemente, mais uma voz verdadeira se apagou. aparentemente, não há esperança de surgirem outras.
não percebo como é que ser uma voz verdadeira pode ser responsabilidade alheia.
(and i’ll miss you most of all, jon stewart!)