um punhal no coração e o superpoder dos xis

hoje senti um punhal a entrar-me pelo coração adentro. não foi nada de intencional. foi uma circunstância. foi um efeito secundário. foi uma circunstância da treta. foi um efeito secundário do lodo.
desabei. ainda bem que não uso rímel nas pestanas de baixo.

hoje desabei porque senti parte de mim negada, rejeitada, violentamente obliterada. é provável que esse sentimento tenha resultado dos hematomas e das cicatrizes, vestígios históricos da constante batalha para evitar que o lodo entre na corrente sanguínea e para eliminar a treta das metáforas diárias. é bem provável.

mas também é certo que sou das que desabam quando os castelos são destruídos, quando sonhos que não sabia que existiam se evaporam, quando potenciais sorrisos se transformam em ficção.
hoje desabei porque, mais uma vez, senti a minha essência a ser rejeitada. apeteceu-me virar costas, fugir, desaparecer. ainda bem que não o fiz.

no entanto…
paradoxalmente…
paradoxalmente, hoje recebi xis que celebram os meus xis. hoje recebi xis que celebram quem eu sou. hoje recebi xis que me fizeram pensar “ainda bem que não uso rímel nas pestanas de baixo”. hoje recebi xis que me fizeram sentir que seria uma cretina se virasse costas, se fugisse, se tentasse desaparecer.

hoje adorei receber xis dos que têm o superpoder de me lembrar porque é que sou das que desabam quando os castelos são destruídos, quando sonhos que não sabia que existiam se evaporam, quando potenciais sorrisos se transformam em ficção.

hoje o efeito boomerang dos xis ajudou-me a recordar que também sou das que não têm medo de partir unhas a carregar pedras para construir castelos, das que acreditam que o sonho comanda a vida, das que riem com gargalhadas sonoras e assertivas quando dão por si no meio de um sketch monty python.

hoje foi importante ser das que sabem porque é que não usar rímel nas pestanas de baixo é essencial.

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