cansada

eu.
muito.

e cansada de estar cansada.
e cansada de sentir o cansaço provocado pelo lodo.
e cansada de olhar para o horizonte e sentir que não há forma de ver outra coisa senão uma imensa autoestrada de lodo.
e cansada de procurar a berma e os pedaços onde ainda vão crescendo flores e ainda onde correm sardaniscas.

já chega de lodo.
eu mereço um horizonte cheiinho de horizonte e não um horizonte carregado de lodo.
é certo que consigo sobreviver no lodo, mas sobreviver é “tão mais pouco” que viver.
e “mais pouco” não me chega.
e “tão mais pouco” é uma treta.
e treta é também de per si um mar de lodo.

já chega de lodo.
já chega de treta.
eu quero um horizonte cheiinho de horizonte.
eu quero sol.

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