seis da manhã, ei!

acordas-me para vires dormir para a minha cama. chego-me para o lado mais frio e dou-te uma almofada. levo com um cotovelo no olho e um joelho na barriga. mesmo a dormir, a tua mão procura a minha. ressonas. encostamos a testa um ao outro e expiras para a minha cara. viras-te para lá e, desta vez, levo com o cotovelo na boca. o despertador ainda não tocou mas eu sei que já não volto a adormecer. o teu calcanhar espeta-se na minha anca. a tua respiração enche o meu quarto. a tua respiração enche a minha alma. a tua respiração dá-me paz. enquanto quiseres vir dormir para a minha cama, roncar ao meu ouvido e dar-me com o cotovelo na cara, eu sei que está tudo bem. eu sei que nós estamos bem. e o mundo pode estar do avesso, mas, se tu vieres dormir para a minha cama, eu posso bem com o mundo.

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