começa sempre com uma ideia, um conceito, uma história dentro da história, uma fotografia mental que junta passado e presente, dor e alegria, coração e espada,…
“alinhas?”
“alinho.”
depois, o retiro. já disse o que precisava de dizer. e dou-te espaço. nem ansiosa fico. quando for o momento, depois de dares as voltas que precisares de dar, vens ter comigo. “estava a pensar que podíamos fazer qualquer coisa deste género.”
e eu sorrio. e sorrio ainda mais. já aconteceu ficar com as pernas a tremer. e continuo a sorrir, a ler cada traço, a digerir cada pormenor.
e é sempre a minha história e, por alguma razão que não compreendo (nem sinto necessidade de compreender), é a minha história contada por mim mas concretizada pela tua mão. e lá estão elas, as camadas de significado que acrescentaste e que, curiosamente, tornam a minha/tua versão da minha história mais rigorosa, mais delineada, mais viva.
e dos rabiscos aos traços e sombras e arte na minha pele é um salto muito rápido. e, claro, com a ajuda de mais um talentoso contador de histórias, sempre consciente de que as histórias que regista têm que manter o brilho durante muitos anos.
no fim, de olhos nos olhos, sorrimos. ambos sentindo a responsabilidade. a responsabilidade de, tal como com o brilho do registo na pele, não deixar desaparecer os que, num dia de coragem e cumplicidade, celebraram um tratado: “alinhas?”, “alinho”.