o que eu quero para mim é o que eu quero para ti

quero sorrir.
quero sorrir porque sim.
quero sorrir porque sinto o sol na pele.
quero sorrir porque o rio fica fantástico em dias de chuva.
quero sorrir porque a minha cabeça vai para onde não deve em momentos inoportunos.
quero sorrir porque dançar me faz sorrir.
quero sorrir quando apago o ashton kutcher para ter espaço para gravar o scooby doo.
quero sorrir quando alguém partilha música comigo.
quero sorrir na antecipação de abraços de qualidade superior.

quero que sorrias para mim, comigo e quando pensas em mim.

quero rir.
quero rir com gargalhadas assertivas e inconvenientes.
quero rir de anedotas que não têm piada.
quero rir porque a vida está recheada de momentos monty python.
quero rir a ver o phineas e ferb.
quero rir por não conseguir controlar o riso.
quero rir a tentar aprender truques de magia para poder ensinar truques de magia (e eu que odeio magia!).
quero rir porque começou uma música que detesto mas que eu sei que me vai fazer dançar.
quero rir até me doer o maxilar porque estamos felizes por estamos juntos e a parvoíce é contagiosa.

quero que te rias comigo, que me faças rir. quero ser capaz de te fazer rir.

quero chorar de tanto rir.
quero chorar sempre que precisar de chorar… pois chorar lava a alma.
quero chorar quando o príncipe do caos me comove com a sua doçura de hulk domesticado.
quero chorar porque sou uma chorona e facilmente me emociono com tretas diversas.

quero ser capaz de procurar ombros capazes de me acolherem quando preciso de chorar. quero que quem precisar de chorar no meu ombro não hesite em procurar-me.

quero saber lidar com a bipolaridade de sentimentos, com a esquizofrenia de ideias e com tudo o que existe de obsessivo-compulsivo na minha maneira de ser.
quero continuar a procurar-me, a encontrar-me.
quero ser a mãe que a criatura merece ter.
quero crescer. ser mais. ser mais eu. ser mais como eu imagino que posso ser.
quero dançar.
e sorrir porque sim.
e rir até me doer o maxilar.
e chorar. pelo sim, e pelo não.

às vezes, a vida parece cinema

quando olho para o meu filho e vejo tão claramente a alma e o brilho do meu pai

quando uma amiga me diz que o que escrevi há meses e decidi voltar a publicar hoje era mesmo aquilo de que ela estava a precisar

quando pergunto a um dos “meus” quem é que ele acha que eu sou, como é que me vê e recebo de resposta um soneto

quando um abraço significa “não quero saber se temos um oceano entre nós porque só a qualidade dos xis é que conta”

quando me preparo para enfrentar um momento potencialmente difícil e sou brindada com um “oh captain, my captain”

quando alguém desconhecido vem ter comigo e diz que andava à minha procura

quando finalmente cumpro uma promessa e me apercebo que os anos que passaram entretanto tornaram a promessa redundante

quando adio o “vamos dormir?” porque a música ainda não acabou e me sinto dentro de um videoclip

quando olho para o ano novo e decido que vai ser “a partir” porque sei que estou acompanhada por quem me vai ajudar a pôr essa intenção em prática

quando não consigo dormir porque há um texto às voltas na minha cabeça a exigir ser publicado

“Both Sides, Now”, Joni Mitchell

Rows and flows of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I’ve looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I’ve looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It’s cloud illusions I recall
I really don’t know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As every fairy tale comes real
I’ve looked at love that way

But now it’s just another show
You leave ‘em laughing when you go
And if you care, don’t let them know
Don’t give yourself away

I’ve looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It’s love’s illusions I recall
I really don’t know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say “I love you” right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I’ve looked at life that way

Oh but now old friends are acting strange
They shake their heads, they tell me that I’ve changed
Well something’s lost but something’s gained
In living every day

I’ve looked at life from both sides now
From win and lose and still somehow
It’s life’s illusions I recall
I really don’t know life at all

I’ve looked at life from both sides now
From up and down and still somehow
It’s life’s illusions I recall
I really don’t know life at all

alinhas?

começa sempre com uma ideia, um conceito, uma história dentro da história, uma fotografia mental que junta passado e presente, dor e alegria, coração e espada,…
“alinhas?”
“alinho.”

depois, o retiro. já disse o que precisava de dizer. e dou-te espaço. nem ansiosa fico. quando for o momento, depois de dares as voltas que precisares de dar, vens ter comigo. “estava a pensar que podíamos fazer qualquer coisa deste género.”
e eu sorrio. e sorrio ainda mais. já aconteceu ficar com as pernas a tremer. e continuo a sorrir, a ler cada traço, a digerir cada pormenor.
e é sempre a minha história e, por alguma razão que não compreendo (nem sinto necessidade de compreender), é a minha história contada por mim mas concretizada pela tua mão. e lá estão elas, as camadas de significado que acrescentaste e que, curiosamente, tornam a minha/tua versão da minha história mais rigorosa, mais delineada, mais viva.

e dos rabiscos aos traços e sombras e arte na minha pele é um salto muito rápido. e, claro, com a ajuda de mais um talentoso contador de histórias, sempre consciente de que as histórias  que regista têm que manter o brilho durante muitos anos.

no fim, de olhos nos olhos, sorrimos. ambos sentindo a responsabilidade. a responsabilidade de, tal como com o brilho do registo na pele, não deixar desaparecer os que, num dia de coragem e cumplicidade, celebraram um tratado: “alinhas?”, “alinho”.