não está claro nem escuro. é mais como se estivesse a ver tudo através de um véu, através de algo que poderia ser descrito como diáfano. sim, diáfano é uma boa palavra. sugere leveza, algo que é, de alguma forma, permeável à luz. quase que implica uma alteração de estado. de solidamente dobrado e arrumado numa gaveta à fluidez da ausência de forma a que o esvoaçar obriga.
pois, não está claro nem escuro, e os contornos não são fidedignos. ora são esbatidos pela assertividade da luz, ora são redesenhados pelas inseguranças da brisa.
é o diáfano a criar a dúvida. continuam a ser as sombras da caverna? ou são os olhos que ainda não se habituaram à claridade do exterior?
ainda há uma terceira hipótese: será o cérebro? será que o córtex visual ainda não desenvolveu o código necessário para processar a imagem com rigor? …e com significado?