às vezes, acontecem coisas que só podem acontecer às vezes. talvez pudessem acontecer mais vezes, mas não acontecem mais vezes. só às vezes. talvez por definição. talvez por hesitação. talvez sem qualquer razão.
às vezes, são coisas grandes ou amplas ou profundas. e trazem sorrisos grandes ou amplos ou profundos. outras vezes, são coisas mais pequenas e os sorrisos podem até não ser tão grandes ou amplos mas podem até ser mais profundos.
às vezes, as pessoas encontram-se, cruzam-se. outras vezes, as pessoas reencontram-se e entrecruzam-se. umas vezes, ficam; outras vezes, seguem.
às vezes, as coisas que acontecem só às vezes representam quebras ou cortes com o estado das coisas. outras vezes, as coisas que acontecem só às vezes têm o dom de transformar as próprias coisas, as tais que definem o estado das coisas. às vezes, as coisas que acontecem só às vezes criam novos padrões para aquilo que existe para além desses momentos. não se trata de alterar um continuum, mas sim de alterar cores e sabores que, consequentemente, alteram a forma como o continuum ou o tal estado das coisas ou a própria vida são escritos.
às vezes, são as coisas que acontecem só às vezes que, saídas sabe-se lá de onde, trazem portas para varandas ou jardins, que colocam em causa o que sabemos sobre as cores do arco-íris, que acrescentam nuances ao olhar que está do outro lado do espelho.
às vezes, são as coisas que acontecem só às vezes que despertam novas verdades, novos horizontes, novas formas de estar em sintonia com o que nos define.
ali, entre o macro e o micro.