essa coisa gestáltica

essa coisa gestáltica de achar que o todo é mais amplo e mais complexo que a soma das suas partes.

essa coisa gestáltica de achar que uma sequência de eventos é mais do que uma sequência de eventos e que o contexto faz parte do conjunto, criando mais uma camada de significado ou até alterando o significado de cada um dos eventos e, com isso, definindo a própria sequência de eventos e distanciando-a de sequências terceiras.

essa coisa gestáltica de achar que um ser humano é um organismo porque é feito de células de diferentes naturezas e variadíssimas funções mas só é um ser humano porque também é feito de luz do sol e das sombras onde habitam os lobisomens.

essa coisa gestáltica de achar que o crescimento de uma criança é feito de momentos-chave vividos em fases-padrão mas só adquire consistência quando sublinhado por momentos de desvio à regra e que são estes últimos que definem a cor da personalidade, o sabor da alma e o chilrear do potencial.

essa coisa gestáltica de achar que uma pessoa se define e ganha existência por tudo o que faz e diz, batidos em castelo e delicadamente misturados com tudo o que decide não fazer nem dizer, sempre com o cuidado de adequar a temperatura à natureza da receita.

essa coisa gestáltica de achar que um conjunto de textos é um tipo de diário de bordo mas só porque encerra em si também todas as relações que existem por detrás das sensações da ortografia, das extrapolações das alegorias e da orgânica da linha de pensamento.

essa coisa gestáltica de achar que um conjunto de textos só pode ser uma unidade orgânica e com alma quando é vista à luz de cada par de olhos que por lá passam.

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