james blake, o raio do miúdo!

sei que estou completamente viciada no ‘retrograde’, contudo não sei o que escrever sobre este miúdo (ainda para mais que o google acabou de me comunicar que tem 1,96m… há aqui muito para processar…).

sei que me surpreende com tudo. não só com cada música nova que oiço (e não estou a dizer que gosto de tudo o que faz!), mas com o que acontece (sim, acontecem coisas) depois de certas palavras, certas notas, certos silêncios, certas hesitações…

tudo é pensado e tudo acontece ao correr da pena.

é desconcertante.

é desconcertante que tudo isto venha de uma criança nascida no final da década de 80.

é desconcertante que seja capaz de recitar joni mitchell como se fosse co-autor da letra. pior: como se fosse capaz de escrever a música para ela.

é desconcertante a forma como enche uma música com alter-egos (ou heterónimos?) da sua própria voz e é desconcertante que essas vozes sejam tão esquizofrenicamente compatíveis com o nosso ouvido.

é desconcertante que as notas a contratempo sejam tão facilmente retrovertidas pelo complicómetro humano e se traduzam em emoções profundamente à flor da pele. quer na expectativa de contratempos, quer na sequência nos nossos contratempos.

note-se: não percebo nada de música. mas o raio do miúdo deixa bem claro que não preciso de perceber nada de música para deixar que me hipnotize e me transporte para outros estados sensoriais ou me permita dançar ao som do que está por detrás dos meus estados emocionais.

“Suddenly I’m hit
(…)
So show me where you fit
So show me where you fit”

só sei que é desconcertante, o raio do miúdo!

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